Samba Feio

    06.09.2009 | 17h37 | Por Ápyus Soluções Digitais

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    • Música:
      Marlos Ápyus
    • Letra:
      Marlos Ápyus

    Compus-lhe a mais linda canção que eu pude escrever
    Rimei-lhe as mais lindas palavras na mais linda melodia
    Uma canção toda linda só para você
    Uma canção de amor
    De dias de alegria

    Agora faço um samba feio para te esquecer
    Rimando as mais feias palavras de dor e agonia
    Um samba todo empenado, feio de doer
    Um samba pra acabar de vez com este triste dia
    Um samba feio

    Felicidade

    Tentei fechar os olhos e imaginar qualquer outra situação, mas a fraqueza de meu coração não me fez ter em mente outra visão se não dela – de novo!!! – me fazendo desejar rever os retratos que nunca tiramos, reler as cartas que nunca trocamos, acordar dos sonhos que nunca nos confidenciamos.

    Corri ao encontro do nada a fim de nada mais ter a haver com este louco e insano querer. Abri os braços como que esperasse um abraço dos céus, respirei fundo e gritei pela paz. Mas o eco, incompreensível e insensato como o mais tiranos dos tiranos, trouxe-me de volta as sílabas de seu nome. E foi então que vi que a loucura não mais, em cada pôr-do-sol que meu corpo ainda havia de presenciar, me deixaria querer outra se não ela.

    Ela que pouco fez, que pouco quis, que se foi sem se importar com as lágrimas que corriam por trás de seu caminhar, mas que, por infelicidade do destino que tanto quer ver sofrer os fracos de coração, esteve presente em cada momento de felicidade, de sorriso, de amizade, de canções belas, nascendo, assim, um sinônimo de tudo que parecesse bom, aprazível, amável.

    Agora é lei. A cada afago, a cada odor agradável, a cada braço de abraço quente, a cada lábio de beijo ardente, a cada acorde dissonante bem encaixado, é a sua lembrança que nasce e faz o doer surgir, não naquela dor pontuda e localizada, mas na que atinge todos os órgãos, todos os tecidos, todas as células, toda a sua alma, todos os seus sentidos. Que te faz gemer em silêncio, chorar sem verter lágrimas, sentir-se só mesmo em meio a multidões.

    É estranho – e ninguém precisa dizer pois eu seu o quanto é estranho – mas nesses dias que teimam em passar mais depressa do que minha percepção gostaria que o fizessem, o que minha alma mais anseia é a liberdade. E toda estranheza nasce justamente do fato de saber que só me sentirei plenamente livre quando novamente em outros seus braços me encontrar preso.


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